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A endocrinologista Maitê Chimeno divide sua vida em três cidades do Rio de Janeiro: atua em seu consultório na capital do Estado, trabalha no Programa de Diabetes de Duque de Caxias e é professora-assistente na Faculdade de Medicina de Vassouras. Isso sem falar nas suas atividades na Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Como ela consegue? “Eu organizei minha vida dentro da realidade que me é disponível”, afirma. “Trabalho diariamente das 7h às 16h, de segunda a sexta-feira. Gerencio adequadamente meus gastos para não ter que trabalhar mais horas e para poder me dedicar à minha família, à Sbem e ao meu aprimoramento acadêmico, pois ao médico não é consentido parar no tempo.” Confira a entrevista.
Para a senhora, como cidadã e como médica, quanto vale o médico?
Maitê Chimeno – O médico não tem preço! A boa prática da medicina deve ser remunerada com respeito e carinho que os bons profissionais que tanto se dedicaram e se dedicam ao aprimoramento médico merecem.
Como a senhora pode exemplificar a importância do médico na sociedade?
MC – Nossa sociedade já incorporou o médico na família como o indivíduo capaz de auxiliar e aconselhar nos momentos de enfermidade ou aflições da própria existência. O médico tem e sempre terá a possibilidade de desenvolver uma melhor visão crítica do contexto social, pois ele vive sua vida e convive com centenas de pessoas que lhe conferem uma excelente visão política. Ele pode ser capaz de auxiliar muito no saneamento de problemas sociais devido a sua técnica diagnóstica e pragmatismo na implantação de soluções que é próprio de sua formação acadêmica.
Quais são as dificuldades que a senhora enfrenta no seu trabalho?
MC – No consultório, a dificuldade maior é saber se os convênios realmente vão pagar o que devem. Há uma luta constante por melhores honorários, que, caso não ocorra, inviabilizará o consultório como meio de vida.
Já no Programa de Diabetes de Duque de Caxias, os problemas são de infra-estrutura, como a condição da sala de atendimento (quentíssima e com móveis enferrujados). O programa é bem organizado e as pessoas envolvidas no atendimento se empenham muito para o bom atendimento dos pacientes, mas faltam medicamentos, por exemplo.
Existem aspectos positivos?
MC – São inúmeros. Eu gosto muito de ser médica. Acredito que parte do meu trabalho é trazer tranqüilidade ao paciente e a seus familiares gerenciando as possibilidades e caminhos a serem adotados para a melhora clínica ou, se possível, para a cura da enfermidade. A conquista de cada pequena melhora é de grande valor e quando ela vem acompanhada pelo reconhecimento é melhor ainda.
O que a senhora acredita que as autoridades devem fazer para mudar a situação da saúde pública no país?
MC – Primeiramente, a saúde pública no Brasil deve ser gerenciada por quem tem a formação mais ampla nesta área, o médico. A organização da distribuição dos recursos segundo prioridades técnicas é fundamental. E considero prioritária a continuidade das políticas de saúde, que, adicionada ao Plano de Cargos e Salários, geram um ambiente propício para o desenvolvimento de ações de saúde coordenadas e duradouras – e sem custos exorbitantes.
A senhora acredita na união dos médicos e da população para mudar este cenário?
MC – Eu não só acredito como vejo sempre! A grande maioria dos médicos que eu conheci nestes 20 anos que tenho de profissão tem feito a sua parte nesta união com aqueles que são nossos pacientes, a população brasileira, pois fizeram muitos esforços pessoais para se formar médicos, para manter seu aprimoramento acadêmico e até mesmo se sujeitando a certos salários por amor à Medicina para melhor servir aos pacientes. Entretanto, a população, como toda massa, deixa-se levar por discursos de quem se diz vender saúde ou proteger a saúde, mas não tem os ideais médicos! Se a sociedade parar para pensar seriamente, saberá responder quanto vale o médico e saberá defender sua saúde se unindo àqueles que realmente têm feito sacrifícios em nome do bem-estar comum da população brasileira.
Qual a sua avaliação sobre a iniciativa do CREMERJ de fazer esta campanha?
MC – Percebo que o CREMERJ tem a visão das necessidades dos médicos e da população. Sabe que a saúde complementar não dá, nem dará conta ao atendimento da população do Rio de Janeiro e que os diversos serviços de saúde que prestam serviços inestimáveis a essa população vêm tendo seus quadros de funcionários médicos reduzidos, pois poucos são os que se sujeitam às péssimas condições de trabalho encontradas em alguns locais. Os profissionais mais antigos já começam a se aposentar. Logo, se algo não for feito no sentido de ajuste desta situação, a médio e longo prazo a população do Rio de Janeiro ficará realmente sem acesso à assistência de saúde.
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