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Em defesa dos médicos

Não podemos permitir que a médica seja culpada pelo lamentável episódio que culminou com a morte do bebê Ana Clara. Pediatra trabalhando em Bangu há mais de 24 anos, sei que é impossível um único pediatra assumir o atendimento num serviço de pronto-atendimento em dias normais, o que dirá numa epidemia que está atingido em maior número crianças e adolescentes. Havia outros serviços de saúde pública funcionando nestes dias. A demissão da médica apenas agravará o já precário atendimento na área, pois num plantão que deveriam estar escalados três pediatras, havia somente um na escala. Esta profissional, com certeza, ficaria vulnerável às agressões dos familiares desesperados com a epidemia e com risco de sofrer até agressões físicas. Se ela cometesse algum erro por cansaço devido à sobrecarga de trabalho,  seria duramente criticada, processada  e execrada publicamente pela nossa imprensa ávida por escândalos. Quando se fala pejorativamente que o diagnóstico é uma virose, devemos lembrá-los que a dengue é provocada por um vírus e que nas primeiras horas de febre, quando os sintomas são mais debilitantes, o diagnóstico definitivo nem sempre é possível. As crianças sempre citadas com os pacientes com potencial risco de morte estão apavoradas com o que ouvem na mída, achando que o diagnóstico de dengue é sempre igual a uma sentença de morte. 
Finalmente,  o que dizer do nosso governador que inaugurou às pressas as UPAs nos últimos dias de 2007? Se estas unidades foram planejadas em sua campanha quando pleiteava o cargo, por que não pensou no corpo clínico a tempo de realizar concurso? Por que as cooperativas sempre estão no meio  do serviço público, oferecendo salários muito mais altos do que os miseráveis proventos pagos aos profissionais concursados? Por que abandonou os hospitais estaduais sempre tão carentes de tudo, por um projeto mais vistoso, no ponto de vista estético? Ir às UPAs para ser atendido com mais conforto (que é direito do contribuinte ou diria eleitor) naturalmente geraria mais votos às incansáveis e inesgotáveis aspirações políticas dos nossos governantes. Faltou planejamento ao inaugurar estas unidades, já que a epidemia estava anunciada há vários meses.
Então, se alguma coisa der errada, que tal culpar os médicos? Jogue a população em cima deles  e nós acalmamos a mídia com algumas demissões e fica tudo bem.

Maria Nazareth

 
Notas de Apoio

Sujeitos a cometer erros
Eu valho muito
Indignação
Em defesa dos médicos
Em benefício da população
  • Fernando Araújo
  • Renata Myrna Neves dos Santos
  • Jaudineia dos Santos Ferreira
  • Franklin Ferreira Barbosa de Oliveira
  • OTÁVIO PRIMO DE ALVARENGA
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O médico não pode parar no tempo , por Dra. Maitê Chimeno leia na íntegra