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Jornal do Brasil - 09/03/2010
 
Imunização seletiva preocupa os pais

Exclusão de grupos como o de pessoas saudáveis entre 2 e 20 anos intriga parte da população

Marcelo Fernandes

O Ministério da Saúde começou ontem a vacinação contra o vírus da gripe suína – influenza A (H1N1). Mas o fato de, no cronograma, não estarem indivíduos entre 2 e 20 anos – exceto aqueles com doenças crônicas que poderiam se agravar com a contaminação – e recém nascidos menores de seis meses intriga parte da população.
 
A justificativa do ministério é a de que não há vacina suficiente para todos. Por isso, a prioridade seria imunizar os grupos mais vulneráveis, diminuindo o risco de uma pandemia, o que poderia resultar no agravamento de doenças pré-existentes e em mortes. Já os menores de seis meses não tomarão a vacina pois não há estudos que comprovem sua eficácia nesta faixa etária.
 
O governo lembra ainda que, caso ocorram alterações na situação e disponibilidade da vacina, outros grupos poderão ser imunizados em novas etapas da estratégia nacional.
 
O economiário (servidor da Caixa Econômica Federal) Daniel Lima, pai de Sofia, de quatro anos, teme que a mutabilidade do vírus possa causar complicações na faixa etária que não será beneficiada. – Me preocupo com minha filha. – diz Daniel. – A gente não sabe o quanto esse vírus pode se modificar.
 
A opinião dele é compartilhada pela técnica em enfermagem Mônica Miller da Silva e Silva. Mãe de uma adolescente de 14 anos e um menino de 8, ela diz conhecer o procedimento, por já ter trabalhado em postos de saúde.
 
– É preocupante saber que eles estão expostos. – afirma Mônica. – Gostaria que todos tivessem acesso às vacinas, mas sabemos que não é bem assim, que nunca existe recurso para todos.
 
Segundo o infectologista e chefe do Departamento de Pediatria do Hospital Pedro Ernesto, Marcos do Lago, menores de seis meses normalmente estão sob cuidados dos pais e possuem a vantagem da imunidade pós-parto, mas o ideal seria que a vacinação abrangesse todas as outras faixas etárias.
 
– Segundo os dados do Ministério (da Saúde), a chance de uma pessoa nessa faixa etária morrer é menor do que em outros grupos de risco. – informa o médico. – Porém, menor não quer dizer que seja impossível. Pelo que tenho lido, o argumento de que faltariam vacinas não é real, e em alguns países ricos o produto estaria sobrando.
 
O médico ressalta que a vacina é segura, mas pode causar alguns efeitos colaterais: – O indivíduo pode sentir dor no local da aplicação ou um pouco de mal-estar, mas a vacina é totalmente segura Hoje (ontem), não consegui tomar, mas irei o mais rapidamente possível – garante.

  • Ivna Lúcia Godinho de Brito Marques
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O médico não pode parar no tempo , por Dra. Maitê Chimeno leia na íntegra